

O Dia Mundial de Combate ao Cancro, foi insti- tuído em 2000, por meio da Carta de Paris contra o Cancro, a efeméride tem o propósito de elevar o nível de consciencialização e educação sobre a doença e influenciar os governos de todo o mundo para a mobilização da luta contra o cancro (MINSA, 2026).
Assim, quando nos propuseram falar sobre o tema; o Cancro como o conjunto de doenças caracterizada pelo crescimento desorganizado de células anormais com capacidade de invadir tudo a sua volta e a distancia; pensamos conosco mesmo, está ahi algo que aflige hoje muita gente independentemente de ser homem ou mulher, criança ou adulto, estatus social, condição religiosa; qualquer que seja a condição nos faz pensar nas incertezas que o assunto encerra, mesmo sendo amplamente estudado; porque o medo e/ou receio e incer- tezas relacionadas a morte, ao futuro, a invali- dez que se pensa pela falta da mama ou útero? talvez porque esteja a acontecer conosco e não sabemos lidar com a situação ou porque já vivenciamos situações relacionadas a parentes, amigos, colegas, pacientes nossos, ou seja, nessa condição de Médico, percebemos o quão fácil é sensibilizar e encorajar as pessoas vivendo com o problema, no entanto; viver o problema na primeira pessoa é com certeza muito, muito difícil.
No nosso pais e de acordo com nossas obser- vações e/ou vivências foi possível perceber que existem além dos medos já referidos, as informações sobre as possíveis causas/modo como eles (Câncer/Cancro) surgem, que na visão de muitas pessoas são contraditórias e baseadas em mitos por exemplo, a origem é dada a fenómenos sobrenaturais ou a feitiçaria, mau olhado, Contágio por contacto próximo com pessoas, partillha de objetos e até con- siderar doença de pessoas ricas.
O exposto anteriormente muito relacionado com os medos e mitos que encerram este problema importante de saúde, que de acordo com a OMS “deixou de ser uma crise silenciosa em África, para se converter numa emergência de saúde pública crescente”; a julgar pelo facto de terem sido diagnosticados cerca de 20 milhões de novos casos e aproximadamente 9,7 a 10 milhões de mortes em 2022; quanto ao nosso pais dois estudos realizados pelos Médi- cos angolanos nomeadamente o de Armando A. et al (2016) v.s Miguel F (2020); mostraram as seguintes frequências dos diferentes tipos: Câncer da mama (20,5% v.s 21,4%), do colo do útero (16,5% v.s 16,8%) e da próstata (7,1% v.s 4%), que a pesar dos anos não mostra grandes diferenças nos resultados, o que nos leva a fazer também alguma reflexão com preocupação sobre se esta situação aparentemente estável que mostra os resultados é real? Provavelmente não; será que a abertura de novas Unidades especializadas contribui para resolver o problema? Provavelmente não; pois entraram em funcionamento muito recentemente.
Tudo que foi exposto anteriormente é susten- tado por aspectos que constam da mensagem do Director da OMS para a região africana (2026) e passo a citar: “por traz dos números estão mães, pais, crianças e jovens cujas vidas são encurtadas não porque não existem soluções, mas porque o acesso a essas soluções continua a ser desigual” e continuou, cito:
“Demasiadas vezes, uma mulher é rastreada, mas não tratada; demasiadas vezes, uma criança é diagnosticada tardiamente; e demasi- adas vezes, as famílias têm que escolher entre procurar cuidados de saúde e satisfazer as necessidades básicas”. E termina, cito: “Isto não é aceitável”.
O que tem sido e/ou se está a fazer para a redução do impacto deste problema na popu- lação? Quanto a isso a OMS (2026) se junta ao Governo, Parceiros e Comunidade para reafir- mar o compromisso inequívoco porque baseado nas condições actuais em Angola: o Cancro pode ser prevenido com uso de vacina, reforço na educação para a saúde, exercícios físicos e alimentação saudável, reduzir alimentos processados, carnes vermelhas, bebidas açucaradas e alcoólicas; a detecção precoce por Citologia no teste papanicolau para câncer do colo do útero, Mamografia para câncer da mama, Tomografia e Ressonância magnética para câncer do pulmão, próstata e outros; assim como o tratamento que envolve abordagem multidisciplinar, que inclui Cirurgia, Quimiotera- pia e Radioterapia.
Em conclusão; o Câncer/Cancro, este conjunto de doenças que independentemente da condição da pessoa vivendo com o problema encerra medo e/ou receio e incertezas relacio- nadas a morte, ao futuro, a invalidez e que atinge e mata milhares de pessoas; o problema é prevenível com enfase na educação para a saúde sobretudo na nossa sociedade e tem cura, desde que haja compromisso e envolvi- mento colectivo.
Fonte: Artigo: Medos, Mitos desenvolvimento, tudo que o Câncer ou Cancro Encerra; Autor: Celestino Teixeira, Médico Epidemiologista.
A Hipertensão Arterial (HTA) é uma doença crónica não transmissível que pode ser defin- ida pela elevação (subida) persistente da pressão arterial, utilizando níveis específicos de pressão arterial sistólica (≥140mmHg) e diastólica (≥90mmHg) ou história do uso de medicamentos anti-hipertensores.
A pressão arterial é a força exercida pelo sangue em circulação contra as paredes das artérias principais vasos sanguíneos do organismo, ela é representada por dois números; o primeiro número (pressão sistólica) representa a pressão nos vasos sanguíneos quando o coração se contrai ou bate; o segundo número (pressão diastólica) representa a pressão nos vasos quando o coração relaxa entre os batimentos. A Hipertensão Arterial (HTA) é um importante problema de saúde pública por ser uma das doenças crónicas em que na maior parte das vezes as pessoas desconhece o seu estado, sendo a mesma de causa multifactorial e muito relacionada ao envelhecimento e hábitos de vida (sedentarismo, obesidade, etc). Esta doença crónica não transmissível segundo a OMS (2022) afecta ao nível do mundo mais de 1 bilhão de pessoas, tendo sido constatado que em África 36% dos adultos vivem com HTA e apenas 27% destes recebem tratamento; quanto as mortes, África contribui com 18 milhões anualmente, sendo que em muitos países 43% de mortes por doenças são crónicas e destas 25% corresponde a doenças cardiovasculares (25% HTA e 60% desconhece) (guia de Vigilância do MINSA, 2021; Flavouiodo, 2024; Inquerito IMIS MINSA 2023-2024; OMS/OPAS, 2022; Guia OMS HTA, 2021; MD.saúde, 2018). Patologia de destaque Hipertensão arterial
Hipertensão arterial, não é apenas para idosos pois jovens e crianças podem desen- volve-la devido a maus hábitos de vida;
É chamada de “O Assassino Silencioso" visto que a maioria dos hipertensos não apresenta sintomas até surgirem compli- cações graves;
Obesidade gera vasos sanguíneos, assim cada 500g de gordura extra requer a formação de cerca de 1,5 km de novos vasos sanguíneos, aumentando a pressão;
Uma grande verdade é que o consumo excessivo de sal está associado à hiper- tensão arterial