LIDERANÇA EM SAÚDE: Cuidar de quem cuida | HEALTHCARE LEADERSHIP: Caring for Those Who Care - ALIVA

LIDERANÇA EM SAÚDE: Cuidar de quem cuida | HEALTHCARE LEADERSHIP: Caring for Those Who Care

Em saúde, liderança eficaz une humanidade e execução: cuidar da equipa para elevar o cuidado ao doente.

Liderar nunca é simples. Mas liderar em saúde é um desafio singular, porque implica gerir não apenas processos e recursos, mas pessoas que cuidam de outras pessoas — muitas vezes em situações de extrema vulnerabilidade. Nesta realidade, não basta conhecer indicadores ou aplicar protocolos: é necessário um compromisso profundo com a dimensão humana do trabalho.

A liderança compassiva encaixa-se de forma exemplar neste contexto. Ao contrário da liderança tradicional, hierárquica e mecânica, a liderança compassiva parte da empatia, da conexão genuína e da preocupação autêntica com o bem-estar da equipa. Trata-se de compreender que, para cuidar bem dos doentes, é preciso primeiro cuidar bem dos profissionais que estão na linha da frente.

Recentemente, no âmbito de um curso executivo de Liderança Eficaz na Nova School of Business and Economics, deparei-me com um conceito que reforça esta visão: o líder positivo deve ser, simultaneamente, um pouco poeta e um pouco canalizador. O poeta é visionário, sonhador e inspirador; é quem transmite propósito, dá significado às tarefas e lembra que cada procedimento é mais do que um ato técnico — é um gesto que pode mudar uma vida. O canalizador, por outro lado, é pragmático, resolutivo e orientado para resultados; é quem remove barreiras, resolve problemas e garante que as condições estão reunidas para que a equipa possa trabalhar com segurança e eficácia.

Na saúde, esta dualidade é vital. Um líder que apenas sonha, sem concretizar, deixa a equipa perdida na inspiração sem ação. Um líder que apenas resolve problemas, sem inspirar, cria um ambiente funcional, mas estéril. A liderança verdadeiramente eficaz sabe alternar entre estas duas dimensões, unindo visão e execução, emoção e pragmatismo.

O modelo do líder cuidador acrescenta a esta equação cinco atributos essenciais. O primeiro é benevolência e atenção genuína — uma qualidade profundamente ligada ao lado poeta, pois requer escuta ativa, empatia e preocupação real pelo estado emocional e físico da equipa. O segundo é o reconhecimento da individualidade de cada membro, o que significa valorizar as diferentes competências, ritmos e histórias, e criar um ambiente onde todos se sintam vistos e respeitados.

O terceiro atributo é o apoio ao crescimento e desenvolvimento profissional. Aqui, o lado canalizador manifesta-se com força: investir em formação, criar oportunidades de progressão e remover obstáculos burocráticos para que a equipa possa evoluir. O quarto é a relação de benefício mútuo entre líder e liderados — compreender que o sucesso do líder depende do sucesso da equipa, e que a confiança e o respeito se constroem em ambas as direções.

Por fim, a capacidade de inspirar e motivar com carisma completa o quadro, unindo o poeta e o canalizador numa só voz. O carisma sem ação esvazia-se; a ação sem carisma perde alma. Quando estas forças se equilibram, o ambiente de trabalho transforma-se: a rotina ganha significado, a motivação deixa de depender apenas de incentivos externos e a equipa sente-se parte de algo maior, capaz de transformar vidas todos os dias.

Mas liderar em saúde não é apenas cuidar e motivar — é também mudar. Um líder é, inevitavelmente, um vetor de mudança, porque liderar implica desafiar o status quo e melhorar continuamente os sistemas e práticas. E mudar em saúde é particularmente exigente, porque mexe com rotinas consolidadas, impacta vidas e exige um equilíbrio delicado entre segurança e inovação.

Para que essa mudança seja efetiva, o líder deve assentar em seis pilares fundamentais:

  1. Por que estamos a mudar? — É essencial comunicar um propósito claro e transparente para a mudança. Na saúde, isso significa explicar de forma simples e convincente como a nova abordagem beneficiará doentes, profissionais e organização. Sempre que possível, este propósito deve estar alinhado com a missão central do cuidado.

  2. Credibilidade das mensagens e dos mensageiros — Quem comunica a mudança deve ser visto como confiável e competente. Se o líder e os porta-vozes não forem respeitados, a mudança perde legitimidade.

  3. Tangibilidade e visibilidade dos resultados — Profissionais de saúde precisam de perceber rapidamente que o esforço compensa. Mostrar resultados concretos, ainda que pequenos, é fundamental para manter o compromisso e a moral elevada.

  4. Aspectos sociais: reciprocidade e prova social — As pessoas tendem a alinhar-se mais facilmente quando percebem que outros já o fizeram. Mostrar que equipas ou colegas de referência já adotaram a mudança cria segurança e adesão.

  5. “Apelar ao elefante” — Este conceito vem da metáfora de Jonathan Haidt, que descreve o processo de tomada de decisão como composto por dois sistemas: o cavaleiro (a razão) e o elefante (as emoções e instintos). Para mudar comportamentos, não basta convencer o cavaleiro; é preciso também ganhar o elefante. Na saúde, isto significa que o líder deve falar ao coração da equipa, despertar empatia, orgulho e sentido de missão, criando uma ligação emocional que dê energia à mudança.

  6. Compromisso adequado para o momento de comunicação — Nem sempre é possível pedir adesão total desde o início. Em determinados momentos, o mais inteligente é solicitar um compromisso parcial ou experimental, deixando espaço para que as pessoas se adaptem.

Na prática, um líder poeta-canalizador-cuidador que atua como vetor de mudança consegue unir todos estes elementos: inspira com propósito (poeta), garante que a mudança se concretiza com resultados visíveis (canalizador), cuida das pessoas durante o processo (cuidador) e cria as condições emocionais e racionais para que todos sintam que estão a evoluir juntos.

Investir na liderança em saúde é investir num sistema mais humano e mais eficaz. É reconhecer que cada mudança bem-sucedida começa por dentro da equipa, e que cuidar de quem cuida não é apenas uma opção — é a base para qualquer transformação duradoura.

Na saúde, liderar é cuidar, inspirar e mudar. É transformar pressão em propósito e rotina em impacto. Porque quando o líder equilibra humanidade, visão e ação, o cuidado chega mais longe e com mais qualidade.

In healthcare, effective leadership unites humanity and execution: caring for the team to elevate patient care.

Leading is never simple. But leading in healthcare is a uniquely demanding challenge, because it requires managing not only processes and resources but also people who care for other people—often in situations of extreme vulnerability. In this context, knowing indicators or applying protocols is not enough: a deep commitment to the human dimension of the work is essential.

Compassionate leadership fits this context perfectly. Unlike traditional, hierarchical, and mechanical leadership, compassionate leadership is grounded in empathy, genuine connection, and authentic concern for the team’s well-being. It means understanding that to provide excellent patient care, one must first take good care of the frontline professionals.

Recently, during an executive course on Effective Leadership at Nova School of Business and Economics, I encountered a concept that reinforced this vision: a positive leader must simultaneously be a bit of a poet and a bit of a facilitator. The poet is visionary, dreamer, and inspiring; they convey purpose, give meaning to tasks, and remind the team that each procedure is more than a technical act—it is a gesture that can change a life. The facilitator, on the other hand, is pragmatic, solution-oriented, and results-focused; they remove obstacles, solve problems, and ensure the conditions are in place for the team to work safely and effectively.

In healthcare, this duality is vital. A leader who only dreams, without executing, leaves the team lost in inspiration without action. A leader who only solves problems, without inspiring, creates a functional but sterile environment. Truly effective leadership alternates between these two dimensions, combining vision and execution, emotion and pragmatism.

The caregiver-leader model adds five essential attributes to this equation. The first is benevolence and genuine attention—a quality deeply connected to the poet side, as it requires active listening, empathy, and real concern for the team’s emotional and physical state. The second is recognizing the individuality of each team member, which means valuing different skills, rhythms, and backgrounds, and creating an environment where everyone feels seen and respected.

The third attribute is supporting professional growth and development. Here, the facilitator side is strong: investing in training, creating opportunities for advancement, and removing bureaucratic obstacles so the team can evolve. The fourth is a mutually beneficial relationship between leader and team—understanding that the leader’s success depends on the team’s success, and that trust and respect are built in both directions.

Finally, the ability to inspire and motivate with charisma completes the picture, uniting the poet and facilitator in a single voice. Charisma without action is hollow; action without charisma lacks soul. When these forces are balanced, the work environment transforms: routine gains meaning, motivation no longer depends solely on external incentives, and the team feels part of something bigger, capable of transforming lives every day.

But leading in healthcare is not only about caring and motivating—it is also about change. A leader is inevitably an agent of change, because leadership implies challenging the status quo and continuously improving systems and practices. And change in healthcare is particularly demanding because it disrupts established routines, impacts lives, and requires a delicate balance between safety and innovation.

For change to be effective, leadership must rely on six fundamental pillars:

  1. Why are we changing? — It is essential to communicate a clear and transparent purpose for the change. In healthcare, this means explaining in a simple and compelling way how the new approach will benefit patients, professionals, and the organization. Whenever possible, this purpose should align with the core mission of care.

  2. Credibility of messages and messengers — Those communicating the change must be seen as trustworthy and competent. If the leader and spokespeople are not respected, the change loses legitimacy.

  3. Tangibility and visibility of results — Healthcare professionals need to see quickly that the effort pays off. Demonstrating concrete, even small, results is crucial to maintain commitment and morale.

  4. Social aspects: reciprocity and social proof — People tend to align more easily when they see that others have already done so. Showing that reference teams or colleagues have adopted the change creates security and adherence.

  5. “Appealing to the elephant” — This concept comes from Jonathan Haidt’s metaphor, which describes decision-making as composed of two systems: the rider (reason) and the elephant (emotions and instincts). To change behavior, it is not enough to convince the rider; you must also engage the elephant. In healthcare, this means that leaders must speak to the team’s heart, awakening empathy, pride, and a sense of mission, creating an emotional connection that fuels the change.

  6. Appropriate commitment for the communication stage — It is not always possible to demand full adherence from the start. At certain times, the smartest approach is to request partial or experimental commitment, leaving space for people to adapt.

In practice, a poet-facilitator-caregiver leader acting as an agent of change can unite all these elements: inspiring with purpose (poet), ensuring visible results (facilitator), caring for people during the process (caregiver), and creating emotional and rational conditions for everyone to feel they are progressing together.

Investing in healthcare leadership is investing in a more humane and effective system. It is recognizing that every successful change begins within the team, and that caring for those who care is not merely an option—it is the foundation for any lasting transformation.

In healthcare, leading means caring, inspiring, and changing. It means transforming pressure into purpose and routine into impact. When a leader balances humanity, vision, and action, patient care reaches further and with higher quality.

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